ABESD acusa Banco de Portugal de “ser fraco com os fortes e forte com os fracos”

A associação de lesados ABESD acusa o Banco de Portugal de “ser fraco com os fortes e forte com os fracos” e de desrespeito pelos pequenos investidores ao não negociar soluções que os compensem pelas perdas sofridas na resolução do BES.

“A ABESD está indignada com o facto de o Banco de Portugal estar a negociar com investidores institucionais a compensação das suas perdas nos produtos de dívida do BES [Banco Espírito Santo] e não ter soluções que contemplem associados, aforradores não qualificados e conservadores que viram as suas poupanças serem consumidas por falta de ação do Banco de Portugal”, disse hoje o presidente da associação, Luís Janeiro, em comunicado.

De acordo com a ABESD, o que se passa é que a entidade liderada por Carlos Costa “tem medo dos poderosos advogados dos investidores qualificados internacionais e não tem respeito pelos pequenos aforradores portugueses”, criticando que o banco central seja “fraco com os fortes e forte com os fracos”.

A ABESD representa cerca de 120 investidores não qualificados que subscreveram produtos do Grupo Espírito Santo (GES) e do BES e que sofreram perdas aquando da resolução do banco, em agosto de 2014.

Muitos investidores subscreveram papel comercial de empresas do GES, o mesmo que está a ser alvo de uma solução para compensar parcialmente as perdas, mas como os associados da ABESD fizeram os investimentos através de sucursais do banco no estrangeiro não são abrangidos pelo mecanismo de compensação.

A ABESD tem vindo a desenvolver vários contactos, nomeadamente com o Governo, Presidência da República e grupos Parlamentares, para expor o seu problema.

As declarações de hoje do presidente da ABESD surgem depois de ter sido conhecido que grandes fundos de investimento internacionais, como a Pimco e Blackrock, defendem um acordo com o Banco de Portugal para minorar as perdas sofridas com a passagem de dívida sénior do Novo Banco para o BES, considerando que sem isso a dívida soberana de Portugal e o setor bancário serão penalizados.

Esta posição foi defendida num comunicado conjunto da Pimco e Blackrock, que têm elevados investimentos em risco depois de, em 29 de dezembro de 2015, o Banco de Portugal (BdP) ter decidido passar do Novo Banco para o ‘banco mau’ BES as obrigações não subordinadas ou seniores por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais, no total de 2.000 milhões de euros.

Contudo, tendo em conta a situação financeira do BES (em liquidação) e o elevado nível de responsabilidade, é provável que o valor nunca seja pago, pelo menos na totalidade.

A Lusa questionou hoje o Banco de Portugal sobre a existência de conversações com fundos de investimento internacionais sobre eventuais compensações que menorizem as perdas, mas até agora não obteve resposta.

via CORREIO DA MANHÃ

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