Antiga empresa do GES quer dinheiro da venda da Comporta no Luxemburgo

A Herdade da Comporta, área de desenvolvimento turístico localizada junto à costa entre Alcácer do Sal e Grândola, é detida em 56,6% pela Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo, que está em insolvência no Luxemburgo

 

A Rioforte, uma das antigas “holdings” de topo do Grupo Espírito Santo, recorreu da decisão da justiça portuguesa de impedir que o dinheiro da venda da Herdade da Comporta chegue ao Luxemburgo, onde decorre a sua insolvência.

“Confirma-se [que], em consequência de decisão judicial, foi arrestado o crédito da Rioforte Internacional sobre o Fundo Herdade da Comporta, decisão que se encontra em recurso”, respondeu a assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República ao Expresso.

A resposta chegou ao jornal depois da primeira notícia que dava conta de que a justiça portuguesa determinou que o montante da venda dos principais ativos da Herdade da Comporta, por parte do fundo imobiliário, não deveria ser entregue à Rioforte. Agora, sabe-se que os responsáveis pela sua insolvência estão a contestar a decisão portuguesa.

Esta sociedade, que se encontra em insolvência no Luxemburgo, é dona de 59% das unidades de participação do fundo, pelo que deveria receber a parcela correspondente pela alienação dos ativos imobiliários ao consórcio que junta Paula Amorim (Amorim Luxury) e Claude Berda (Vanguard Properties).

A justiça já tinha as unidades de participação da Rioforte no fundo sob arresto, só que teve de determinar novo congelamento para assegurar-se que fica em Portugal também o produto da venda dos ativos do fundo imobiliário detido na sua maioria pela “holding” do Grupo Espírito Santo.

Este dinheiro poderá servir para indemnizar eventuais “lesados” do Universo Espírito Santo, nome dado aos processos judiciais que correm em torno do banco e do grupo.

Assim, ficam salvaguardados estes “lesados”, mas saem diretamente penalizados os credores da Rioforte no Luxemburgo, onde os montantes detidos servem para pagar 2% dos créditos reclamados.

A venda dos ativos em Grândola e Alcácer do Sal foi fechada por 159 milhões de euros – aguarda-se em abril o encerramento do negócio –, valor que tem de compensar a dívida do fundo imobiliário à Caixa Geral de Depósitos, que, no final de 2017, situava-se em torno dos 120 milhões de euros.

 

via Expresso

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