Generais angolanos perderam 500 milhões de dólares em empresas do GES

Um pequeno grupo de generais angolanos terá perdido cerca de 500 milhões de dólares (quase 439 milhões de euros, ao câmbio actual) com investimentos em papel comercial das empresas do Grupo Espírito Santo (GES).

 

Os militares angolanos terão aplicado o dinheiro em títulos de dívida de sociedades como a Rio Forte e a Espírito Santo Internacional (ESI), empresa que esteve na origem do colapso financeiro do GES, em 2014.

O dinheiro que os generais angolanos terão investido no papel comercial das empresas do GES terá tido origem em crédito concedidos pelo BES Angola (BESA), de onde terá saído para o ES Bank Dubai, entidade bancária que o GES detinha então naquele país do Médio Oriente.

A aquisição do papel comercial das empresas do GES terá sido feita a partir do Dubai através de sociedades offshore, cujos últimos beneficiários serão generais angolanos.

Com o colapso financeiro do GES em 2014, a Rio Forte e a ESI foram declaradas insolventes pelo Tribunal do Comércio do Luxemburgo. E não devolveram aos investidores o capital que estes aplicaram na compra dos seus títulos de dívida.

A 31 de Agosto de 2013, segundo uma acta, o BESA tinha concedido um crédito total de 6,9 mil milhões de dólares (cerca de 6,1 mil milhões de euros). Desse montante, 80% correspondentes a 5,5 mil milhões de dólares (4,83 mil milhões de euros) estavam concentrados , segundo o mesmo documento, num “grupo relevante de desconhecimento por parte do actual conselho de administração relativamente à identificação dos mutuários, finalidade da utilização dos créditos e garantias pelo BESA”.

Nesta acta, que é um dos documentos recebidos pela comissão de inquérito parlamentar ao BES, os nomes dos clientes do BESA estão rasurados.

A UNITA quer uma comissão parlamentar de inquérito à falência do BESA e à criação do Banco Económico com os mesmos activos. O crédito do BESA a clientes são um dos assuntos a esclarecer.

O BESA tinha como accionistas o BES (51,94% do capital social), Portmill(24%) representada pelo general Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Geni (18,99%), representados pelo general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”; Álvaro Sobrinho (5,05%); Ricardo Salgado (0,01%) e Carlos José Silva (0,01).

Garantia soberana do Estado angolano caiu por terra

No final de 2013, o Estado angolano, na sequência da assembleia-geral do BESA em Outubro desse ano, prestou uma garantia bancária até 5,7 mil milhões de dólares ( 5 milhões de euros, ao câmbio actual) para cobertura de créditos concedidos pelo BESA a um conjunto de entidades empresariais angolanas.

Com a aplicação da medida de resolução ao BES, em Agosto de 2014, o Estado angolano retirou essa garantia.

O Estado angolano acabou por intervir no BESA. Nesse ano, o BESA mudou o nome para Banco Económico.

 

via Angola 24 horas

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