Haitong chama advogados para se defender de ação judicial de €518 milhões do papel comercial

O fundo de recuperação de créditos que juntou clientes do papel comercial do GES pôs um processo contra o Haitong e seus antigos gestores

 

O Haitong Bank, antigo Banco Espírito Santo de Investimento (BESI), vai contratar advogados fora do banco para responder à ação judicial apresentada pelo fundo de recuperação de créditos dos clientes que tinham papel comercial da Espírito Santo International e da Rioforte. Ao todo, são 518 milhões de euros pedidos à instituição financeira de capitais chineses mas que, até 2014, pertencia ao Banco Espírito Santo.

“Em 16 de julho de 2019, o Haitong Bank foi notificado de uma nova ação legal relativa ao papel comercial emitido pela Espírito Santo International e Rioforte em 2013, apresentada por um fundo de recuperação de créditos formado por vários desses papéis comerciais, dirigidos contra o Haitong Bank e vários membros de entidades GES. O pedido eleva-se a 517,5 milhões de euros”, confirma o relatório e contas relativo ao primeiro semestre.

Segundo noticiou o Jornal Económico em junho, o fundo que representa os investidores com papel comercial das insolventes empresas do GES e vendido aos balcões do BES colocou sete ações judiciais que visam não só o Haitong Bank mas também os seus ex-administradores Amílcar Morais Pires, José Manuel Espírito Santo, José Maria Ricciardi, Pedro Mosqueira do Amaral, Ricardo Salgado e Ricardo Abecassis Espírito Santo. Deu entrada dia 7 de junho no juízo central cível de Lisboa.

“O Haitong Bank está a analisar os argumentos apresentados pelo reclamante e contratará advogados externos para representar o banco”, conta o banco de investimento que, hoje em dia, tem Wu Min como presidente executivo. Não são dados mais pormenores no relatório que foi publicado esta terça-feira, 24 de setembro.

Gerido pela Patris, o fundo de recuperação de créditos adquiriu as reclamações de clientes com papel comercial, recebeu ajuda estatal para conseguir pagar até 75% dos valores investidos, e está a intentar várias ações para conseguir devolver esse montante. A colocação de processos judiciais não é nova (em março, já tinha entrado um processo, de 514 milhões, contra dezenas de ex-gestores e ex-administradores do universo Espírito Santo), sendo que o BES também reclamou créditos no processo de insolvência – mas não foi reconhecido pela comissão liquidatária.

 

UMA HERANÇA

O passado do BES, que era o acionista do BESI, é a causa de uma herança pesada. O Haitong Bank é réu em processos relacionados com o aumento de capital do BES, realizado em maio de 2014, a meses da queda da instituição financeira. Há depois mais 24 processos sobre o papel comercial do GES e da brasileira Oi.

Estes processos estão também já nas mãos de advogados externos e tanto eles como o departamento jurídico do banco considera que estes “não têm sustentabilidade jurídica, pelo que se considera improvável e remota qualquer condenação do Haitong Bank”. Já houve, refere o banco, 30 processos relativos ao papel comercial do GES transitados em julgado “com a absolvição total” do Haitong Bank.

 

BANCO CONSEGUE CRESCIMENTO DE LUCROS

A queda do BES, a passagem para o Novo Banco e depois a venda ao Haitong Bank, tudo feito com grandes mudanças na gestão, tem pesado sobre os resultados do banco de investimento. No primeiro semestre deste ano, a entidade conseguiu lucros de 11 milhões de euros, acima dos prejuízos de 2 milhões que marcou no mesmo período de 2018.

Presente no Brasil, Espanha, Inglaterra e Polónia, o banco está, neste momento, a sair da Irlanda (espera vender a sucursal até ao final do ano), e prepara-se para abrir em Macau – onde espera ligar aquela região à Europa e ao Brasil.

 

via Expresso

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